quinta-feira, 23 de outubro de 2014

O trem da vida



Eu lembro daquele rapaz do perfume bom.
Do coração bom.
Lembro bem quando ele me ensinou umas técnicas de como melhorar um ovo frito.
Aquele velho rapaz.
Seus velhos sinais.
Suas manias.
Sua paixão pela caixa de ferramentas.
Aquela rapaz com um gato doido chamado Bob Marley.
Lembro bem como ama lâmpadas e tudo que brilha...
E aquela lanterna linda, que ainda deve funcionar.
O rapaz do carro velho,
Aquele que não pegava.
Do carro que eu empurrava,
E até combustível as vezes eu colocava.
Lembro bem do churrasco que dei de aniversário,
Do peixinho de aquário,
E de todas as noites de amor.
Do meu amor.
Do amor que eu dei.
Lembro de tudo naquele rapaz.
Cada mania.
Cada paranoia.
Cada discussão.
Cada separação.
Cada reconciliação.
Lembro bem.
De tudo,
Dele todo.
E ele?
Já não lembra mais de quem demorou pra apagá-lo do coração.
Hoje, ainda lembro daquele rapaz do perfume bom.
Ele bóia aqui no meu mar de mágoas.
Tudo é aprendizado.
As maiores dores são aquelas que me proporcionam certos escritos.
Escritos certos.
Dores passageiras, neste trem da vida.
Deve-se dar valor para pessoas de valor.

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