quarta-feira, 23 de abril de 2014

Tomada



E aquela velha nostalgia.
Ouvir Moacir Franco,
Barros de Alencar...
Ter de volta à mente os velhos sonhos de criança.
Chorar ao, além de entender, compreender as músicas.
Senti-las.
Tentar não se sufocar por não encontrar alguém.
A sede de paixão, de amor.
De um amor que caiba no tamanho do seu sonho.
Chorar, mas não de tristeza.
De solidão.
Chorar de melancolia,
Afinal já dizia o velho Quintana:
A melancolia é o lado romântico de ficar triste.
E talvez tudo o que tenhas vivido foi como um aprendizado.
Somando-se as coisas boas, e apagando as ruins.
Vida nova.
Uma nova estrada.
Lavar a poeira dos calçados que já foi pisada.
Decisão.
Tomada.
Tomada para ligar a batedeira, o carregador do celular.
Tomada para ligar à vida.

Decisão tomada.

terça-feira, 8 de abril de 2014

A vida aqui fora

E então,
Resolvi.
Fugir pra aí.
Sair daqui,
Do meu pensamento.
Sozinha, não me lamento,
E penso:
Como fui parar neste teu mundo?
Tão desigual, mas igual ao meu?
O que é que quer ser seu?
Eu?
O meu?
Meu pensamento.
Meu coração?
Tanta emoção.
Será que é paixão?
Mas não!
Não posso.
Tanto como não quero,
Eu quero,
E espero,
Que também,
Pense em mim,
Em ti,
Assim.
Desse jeito.
Tão nós.
Tão nosso.
Nosso jeito.
Nosso mundo.
Tão desigual, mas igual.
E esses olhos.
O azul celeste do céu,
Cai-me à noite, como um véu.
Cobre-me no arder desta paixão.
Meus pés sobrevoam o chão.
Foi um sonho.
E então, eu resolvi,
Fugir pra aí.
Eu sabia!
Você mesmo não poderia,
Ser dessa cidade,
Ou ter minha idade.
É tudo tão engraçado.
Pare de ficar calado.
Saia daqui,
Do meu pensamento,
Neste momento
O teu ser não cabe,
No tamanho do meu sonho,
Então eu te proponho,
Venha ver a realidade,
Já não temos mais idade,
Para brincar com isso assim,
Desse jeito,
Unir nossos defeitos.
Vamos lá.
Foi um sonho.
Foi um sonho de um sonho.

Acordei.
A vida aqui fora não tem tanta graça sem você.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Desabafo 02

Olá!
Bem engraçado isso...
Nesses meus quase 21 anos, conversei mais contigo por meios virtuais do que pessoais.
Será que existe aula de conversação para Mãe e Filha?
Acho que não, e já passou a época que eu gostaria que isso acontecesse.
Toda a minha vida eu tenho me humilhado correndo atrás de ti.
Sempre dei o primeiro passo, e continuei no decorrer dos anos sendo rejeitada entre as linhas das tuas frases.
Não compreendo. Eu NUNCA te fiz mal algum.
Sei que não teve mãe, e sinto muito por isso.
Mas, isso não justifica o fato de sempre me rejeitar, pois os teus outros dois filhos sempre trataste mesmo como filhos.
Sabe o que é chegar em casa da escola e você pedir só pro teu primogênito com foi aula? E eu, nem um oi ouvia...
Sabe o que é ouvir da própria mãe que não fui abortada por falta de dinheiro?
Sabe como pesou pra mim cada ofensa que recebi de ti?
Você me educou, me ensinou a ler, me alimentou, me vestiu... Nunca me deixou faltar nada - material - .
Houve uma época em que eu achava que este era apenas o teu jeito de demonstrar teu "amor" por mim, mas hoje percebo que fez isso tudo por obrigação, já que me abortar não podia.
Nunca senti amor sincero da tua parte.
Cada abraço teu, não foi sincero.
Cada "eu te amo" que me disse, - que não foram muitos -, não foram sinceros.
Foram apenas uma maneira de não me decepcionar.
De não me deixar frustrada.
"Coitadinha, não pode conhecer o pai, já que Deus o quis levar antes do tempo".
Eu tô cansada, aliás, eu cansei de tentar.
De tentar receber amor teu.
Tenho mágoas aqui dentro, que não possuem cura... Que eu terei que aprender a conviver, pois elas permanecerão aqui para sempre... E cada dia vão me matando, me consumindo aos poucos.
Você tem razão, aliás mãe, você sempre teve - Eu saí de casa por escolha minha. Mas saiba que eu não queria. Fui tão mal amada (ou poderia dizer "não fui amada"), que não via outra saída.
Sabe o que é não ser bem vinda na sua própria casa?
Tá, eu sei que você sabe.
Sei que sofreu muito na vida.
Sei de tudo.
Só não entendo porque nunca me contou?
Afinal, eu sou tua filha.
Tua única filha mulher.
Mesmo que você não tenha me planejado, e muito menos desejado meu nascimento com vida...
Mesmo com todas as circunstâncias negativas, mesmo assim, deveria ter me contado o porquê de você ser assim comigo. SÓ COMIGO.
Sou muito parecida contigo? É isso?
Você tem medo ou o que?
Você liga todo o sofrimento que carrega no coração ao meu nascimento ou o que?
Estou tentando transformar toda essa mágoa em força, para suportar isso.
Eu tô cansada dessa merda toda.
Nunca tô feliz, e tô sempre enchendo meu vazio com coisas que não adiantam.
Eu cansei de me humilhar, aí eu fiz esta carta, que é praticamente a mesma coisa. Tão inútil e falha como qualquer tentativa minha de suicídio até hoje.
Fazem quase 3 meses que me mudei, e você nem se quer ligou pedindo se eu tinha comida na dispensa.
Não tenho culpa da sua multipolaridade, nem da minha, afinal, puxei de ti.
Não tenho culpa de nada.
Ou até tenho.
De estar só fazendo coisas erradas a respeito disso.
Eu tenho quase 21 anos, e sempre estivemos nessa de "fazer as pazes" e desfazer.
Eu tô cansada.
Eu queria ter recebido amor do meu pai, mas que culpa que eu tenho se ele morreu antes mesmo de eu falar uma palavra ou dar o primeiro passo?
E você, que culpa tem?
Nenhuma mãe.
Deus quis assim.
E talvez a vontade de Deus seja que eu fique longe da tua vida.
E como você mesma disse, eu devo tocar a minha vida, que você tocará a tua.

Perdão mesmo mãe. E eu te perdôo por tudo, por todos os erros que cometeu comigo... Perdôo do fundo do meu coração, mas, não venha querer de mim agora, o amor que eu não tive minha vida toda.


E sabe o que é o mais irônico de toda minha mágoa?
É sentir vontade de ser consolada por quem me magoou.
E talvez até rolaria aquele feijão carioquinha com caldo grosso, arroz, e frango, o que eu mais amava... E que não sei o que é há uns 5 meses.


Eu desisti de nós.
E estou desistindo de mim.
E sinto muito, mas já não faço questão.





(escrevi este texto por simples desabafo, sei que não surtirá o efeito desejado. Era uma carta que tenho aqui manuscrita no caderno da faculdade... que eu entregaria para minha mãe, no dia das mãe, mas como já não tenho contato com ela, registro aqui, pra liberar um pouco essa mágoa... enfim)


Adeus

Eu me perdi.
Eu sumi.
Sumi por aí.
Sumi dali.
Sumi de lá.
Lá de onde o vento sopra.
Sumi de mim.
Dos meus pensamentos.
Sumi das cores das flores.
Dos tempos.
De momentos.
Eu sumi, fugi.
Não quis me encontrar, foi o destino que me achou.
Mas eu consegui escapar de suas peças.
E vivo aqui, no meu canto.
Não consigo largar meu orgulho e pedir ajuda.
Não.
Estou indo.
Lá, onde não tocam os sinos.
Onde se ouve o bem-te-vi e o João de Barro.
Longe.
Bem longe.

Desabafo 01

Os dias vão passando.
Cada dia uma conquista.
Cada dia, um dia a menos de vida.
Lembre-se, coisas materiais de nada valem.
O que valem mesmo são os sentimentos.
Já houve uma época em que eu sonhava em me casar, ficar por aqui mesmo, nesta cidade, que cresce mais rápido que aquelas “graminhas” no pasto, e viver a vida por aqui. Advogar no escritório onde já trabalho há tempos, constituir então depois de uns dois anos uma família, ter minha casa, minha horta com minhas verduras e tudo o mais.
Este tempo passou.
Hoje percebo que as famílias se desfazem rápido;
Que os maridos traem suas esposas;
Que os filhos só sofrerão, pois geralmente mães que sofrem, fazem os filhos sofrerem, então no meu caso não seria diferente... Seria apenas a continuação da história.
Percebo que esta cidade cresce sim, mas não encontro nada que caiba no meu sonho por aqui;
Percebo que o prazer que tenho pelo meu estudo e profissão já não é o mesmo de antes e já não é suficiente para continuar, mas pela pressão que suporto, estou aí, empurrando tudo com a barriga, pra ver se finda logo.
Percebi que toda a mágoa que tenho na minha vida está se tornando em ódio.

Tudo muda, pois os tempos passam, mais rápido que a brisa ao bater em nossos cabelos.
Os tempos passam, as vontades mudam... Já dizia Camões.
Hoje, procuro viver isso: o Hoje.
Já não me importo com as circunstâncias que minha vida leva.
Aliás, não ando nem me importando comigo, com o meu ser, espírito...
Tanto faz.
Já  procurei felicidade onde só encontrava naquele momento.
Meu porto seguro, aquelas frações de segundos de felicidade que os entorpecentes me proporcionavam, ah como era bom. Mas depois, acabava, e minha mágoa voltava mais forte ainda.
Aquilo só preenchia meu vazio naquele momento, e depois percebia que só cavava mais o buraco aqui do meu peito.
Queria mesmo era acabar comigo.
Me destruir.
Já que não era forte o suficiente para o suicídio, resolvi me matar aos poucos.
Acabar com meu organismo.
Esfolar minha alma.
Me machucar.
Larguei mão do meu ser já há algum tempo.
Sem redes sociais.
Sem nenhuma comunicação com a "família".
Família? Ah sim, aquelas pessoas com quem eu dividia o mesmo teto.
Posso afirmar que utilizo estes meus textos mesmo como um desabafo.
Eu queria muito fugir daqui, desta cidade, deste país...
Pra bem longe onde ninguém pudesse me encontrar.
Aliás, de que adianta? Quem me procuraria? Só o setor de cobranças do banco.

Os tempos passam, e vemos quem são nossas amizades, e em casos mais concretos, percebemos que estamos sozinhos.
No meu caso, sozinha.
Os "amigos" do "e aí blza?" estão jogados aí, não tão às traças como eu, mas, enfim.

Sabe, cheguei a uma conclusão:
Tudo que fiz até hoje nesses quase 21 anos de vida, foram em função daquela que me pariu.
Entrar na faculdade de direito, me envolver com a música, escrever...
Pra ver se algum dia de alguma maneira ela sentiria orgulho de mim, da pessoa que eu sou...
Mas, como já esperado, nada. Nada de nada.
Ser rejeitada toda minha vida não foi fácil.
Como explicar essa dor que eu sinto? Como curar? Não existe, e já estou ciente.
Eu tenho que aprender a conviver com esta mágoa.
Esta mágoa que aos poucos se torna ódio, rancor.
Desgosto.
Mas, ao mesmo tempo eu ainda queria sabe, dar um último passo, mesmo sabendo que todas as minhas tentativas de receber amor materno foram falhas.
Mas como cobrar algo de alguém, que não teve.
Cobrar amor de mãe, sendo que minha mãe nunca recebeu!
Não há o que fazer.
É mais um caso perdido nesse mundão.
Eu perdida.
Eu me perdi.
Lavei as mãos.
Perdão, mas já não me importo com minha vida.
Temos que viver o hoje, e o passado esquecer. ♫



Sei que cometi erros, muitos.
Entrar no erro é bem fácil... Agora, pra sair dele....
Uns se afundam mais.
Outros, tentam sair dele.
Eu desisti.