Era um desses dias, onde a vontade é de ficar na cama.
O despertador de Paola era sua mãe, batendo na porta às 6h da manhã:
“- Acorda Paola, tá na hora!”
Paola não gostava muito de sair da cama logo cedo, deixar o cobertor quentinho e o lençol cheiroso... Deixar seus sonhos com Marcos Rogério abandonados até que ela retornasse, então ela permanecia ali ainda uns 8 minutos.
E neste tempo, não dormia, apenas imaginava coisas boas na vida, como ter conhecido o Marcos Rogério. E também imaginava como poderia fazer as coisas entre eles melhorem...
(Marcos Rogério era um grande amigo. Era um destes homens, que são homens de verdade. Destes que acordam cedo, vão ao trabalho, depois vão à faculdade, e lá planejam um grande futuro. Marcos Rogério era o cara que possuía mais caráter que todos os homens juntos que Paola já havia conhecido. Só havia um problema: Marcos Rogério estava com alguns segredos ocultos... E quando Paola resolveu assumir seus mais sérios sentimentos por ele, por MUITO medo, ele apenas disse que ambos estavam em fases diferentes da vida, que as páginas eram distintas.
Com essa informação, o mundo caiu sob os olhos de Paola. E isso estava sufocando ela a cada dia que passava).
Passado aquele tempo, aqueles tão breves 8 minutos, novamente sua mãe chega ao quarto, batendo na porta, desta vez aos gritos:
“- Levanta já desta cama Paola Rosalinda! Ou não vai trabalhar hoje menina?”
E lá ia a Paola pro banho, colocava uma música destas em que corações partidos como o dela emitem algum som legal.
Se arrumava as pressas: pouca maquiagem, muito casaco, botinha e seu gorro de crochê, para se proteger do frio que fazia lá fora.
Mesmo sendo difícil levantar cedo naquele frio, Paola adorava seu trabalho.
Lidar com os problemas das pessoas era tudo o que ela mais amava, afinal, esquecia um pouco dos seus, e a vida parecia ser mais bonita.
Paola era focada na vida, na faculdade e na família.
Como muitos, Paola já havia se ferido por causa das velhas armadilhas que a vida coloca em cada esquina, também conhecidas como “paixões”.
Paola era mais uma garota dessas tantas que existem por aí, que gostam de se passar por arquitetas, e constroem castelos de sonhos em cima de outras pessoas.
Depois de alguns tombos, ainda que cambaleando, Paola já possuía sérios pensamentos sobre como a vida é engraçada.
Todos os dias, quando chegava em casa da faculdade, tarde da noite, sua cachorra já a aguardava no mesmo lugar de sempre.
Certa noite, não foi diferente, chegou pelas 23h, e lá estava a Preta, sua fiel companheira.
Paola sentou na calçada ao lado de Preta, e depois de receber seu carinho canino diário, ela começou a desabafar:
“Sabe Preta, a vida é mesmo uma coisa engraçada... Há certos dias em que acordamos meio mortos, sem vontade de fazer nada, nem mesmo falar com qualquer pessoa que seja...
Outros dias que acordamos prontos pra matar, por qualquer coisa fútil... E há ainda aqueles dias, que pra mim são os mais legais, onde acordamos apenas pra viver. E viver intensamente cada segundo.
Sabe Preta, se apaixonar é como estes dias de inverno, você sente os bons ventos soprando, ventos que não parecem passageiros...
Se apaixonar é como se o outro fosse este vento, feito uma brisa boa, que quando passa por você, te estremece, e faz tuas bochechas ficarem geladas e vermelhas...
Mas Preta, infelizmente, a paixão, ela acaba!
Aquela brisa boa se torna um vendaval horrível!
Vira tudo dentro de ti!
Faz os vasos dos sentimentos bons caírem e quebrarem!
Preta, se você fosse mulher (porque convenhamos você é mais humana que muita gente por aí), mas, se você fosse mulher eu te daria apenas este conselho, NÃO SE APAIXONE. Guarde todos os teus sentimentos dentro de uma caixinha, e quando ela encher, e você perceber que pode estar amando, aí então, abra a caixinha, pro dono deste amor, ter todo o acesso possível...”
Foi estranha aquela conversa de Paola e de sua fiel companheira. Num instante de silêncio, a Preta olhou pra ela, com aquele olhar de dúvida, então Paola disse:
“Você quer saber da minha caixinha né? Quer saber se eu amo né? Ah Preta, não sei! Como vou saber? No momento meu sentimento é puro... Mas, não sei se tive já algum contato com este tal de amor.”
Nisso a Preta simplesmente deitou sob o colo de Paola.
Então Paola Rosalinda, naquela noite de inverno, soube que sim, o amor existe...
O amor verdadeiro é quando você chega em casa, e teu fiel companheiro está lá, no frio, te esperando. Amor verdadeiro é quando teu cachorro te lambe no rosto depois de você ter deixado ele o dia inteiro sozinho em casa.
E não, não é um conto feito capítulo de novela Mexicana. É apenas uma pequena junção dos últimos fatos.