domingo, 26 de outubro de 2014

Mundo

Ele não escreveu aquela carta à ela.
Aliás alguém já escreveu algo à ela?
Não.
Ela sempre sentiu demais.
Sempre planejou demais.
E no fim, sempre sofreu demais.
Hoje afunda-se em filmes, vive naqueles romances de finais felizes,
É como uma autoflagelação, quando o filme acaba, ela percebe que nada é verdadeiro.
Se não são os filmes, bem, ela lê livros.
Devora páginas e páginas...
Envolve-se com os personagens, e de repente o livro termina, e com o fim  vem a crise existencial.
Fora tudo isso, ela dorme.
Sonha.
O mundo dos sonhos é perfeito.
Têm sido assim as últimas semanas.


sábado, 25 de outubro de 2014

Tranquilidade

E então, é sábado. Ah o sábado! Um sábado de calor, suor e pernilongos. 
Trato o sábado como qualquer outro dia. Gosto de ficar em casa, especialmente de pijamas... Esses de números maiores que deixam entrar um ventinho pelos cantos. Não acostumei mais com essa história de levantar cedo da cama, deixar meu travesseiro de pena aos prantos sem a minha cabeça pra aconchegar. Não vou pentear os cabelos, porque gosto deles assim naturais. Não preciso me maquiar, e bem, qual foi a última vez que me entupi dessas besteiras? Ah, sim, numa festa de casamento. Eu gosto de batom vermelho e delineador. Acho bonito. Sensual. O tal do sexy sem ser vulgar. Eu não sou o tipo de garota que vai colocar um vestidinho colado pra sair, ou um salto alto pra conquistar um cara. Eu usarei salto alto quando eu quiser, quase nunca. Gosto de me sentir a vontade, usar roupas e calçados que façam eu me sentir bem. Passei da fase de combinar cores e de me importar com o que os outros pensarão a meu respeito. Depois de um tempo a gente aprende que quanto menos nos importarmos com a opinião dos outros, somos mais felizes. E então estou aqui, numa boa. 
Eu posso fazer o que eu quiser. 
Posso ver filmes na TV por assinatura ou aqui mesmo no celular via youtube... Posso escolher um livro entre os tantos que estão ali aguardando a vez. Posso escrever poesias. Posso cantar e tocar meu ukulele. Posso apenas deitar e ouvir os sons ritmados que a roçadeira faz enquanto há alguém ali fora roçando o gramado.
O que importa é que estou sendo eu.
Eu, de pijama, satisfeita, na minha cama.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Tirando a roupa.

Sabe o que eu queria? 
Viver um Romance... Desses que a gente só vê em filmes. 
Queria casar... toda de branco na igreja... 
Queria alguém que me fizesse músicas... poesias. 
Alguém que declarasse o amor por mim. Que me mandasse flores sem avisar... que me desse presentinhos simples... pois o simples me atrai... 
Alguém que me escrevesse cartas... manuscritas, e que eu recebesse pelo correio. Queria isso. Alguém que deixasse de lado esse lance de postar fotos no facebook com legendas românticas, quero algo verdadeiro... 
Alguém que fizesse comigo o que com toda a certeza eu faria por ele. Eu sonho. Não faz mal à ninguém... 
Queria um cara que topasse transar em lugares inusitados e que não se importasse com o que eu falo sobre sexo na roda de amigos. Queria um cara que, porra, sentisse orgulho da mulher que tem do lado. Porque PORRA se eu fosse homem eu iria me querer todos os dias.
Eu me apaixonaria por mim todos os dias, só de me ouvir cantando cedo no chuveiro.
Te falo, eu preciso de um Romance. Por mais que eu finja que não, eu preciso. Só que... aqui não tem homem de verdade. 
Eu quero um homem que me entenda. Que sou uma artista e como tal problemática e louca. Um cara que entenda que como filha, tenho problemas intermináveis com minha mãe.
Entenda que nem sempre sou mulher. Que mesmo fogosa nem sempre quero fazer amor por completo...e tem vezes que o que eu quero é só deitar sob um peito e que meus cabelos sejam acariciados... Talvez a ausência de pai me faça sentir isso. Sentir segurança estando com um homem de verdade.
E bem... Quero alguém que não ligue se no natal eu coloco uns biscoitos com leite sob uma cadeira perto da minha cama... Eu sei que o tal do Noel não virá, mas o natal alimenta a esperança... e eu gosto disso. 
Eu não quero alguém que me molde e que reclame só porque tenho a mania de mexer o pé direito até dormir,  e também, o que importa se eu tenho estrelas que brilham coladas aqui no teto? Eu olho pra elas e... bem, é quase como no chuveiro... eu tomo decisões olhando pra elas... 
Foram experiências ruins que tive... e todos que riram de mim pelos biscoitos e pelas estrelas... me insultaram por cantar cedo e reclamaram por balançar o pé... bom, eles perderam. Eles PER-DE-RAM. .. eu tento, tento... tento mesmo. Mas quando eu desisto, bom, não há volta. 
Eles perderam... porque posso ter meus defeitos, mas sou alguém que eu gostaria de ter ao lado. 
E eu não mudarei. 
Ninguém tem que mudar por ninguém... 
Eu tenho 21 anos...As vezes 6, pelos sonhos... Na maioria 15, pelos desejos incontáveis da chegada do príncipe barbado...
E enfim, eu precisei tirar esta roupa de mulher bem resolvida e fria, pra ser eu mesma...

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Pausa para monólogo

Várias pessoas param e pensam: Bem, e agora?
O que eu faço de tão bom, coisas que eu mesmo me orgulharia do meu ser?
Não que eu não saiba fazer outra coisa...
Mas, poesia...Bem, a poesia é tudo pra mim.
Cada sentimento...
Bem melhor jogar as palavras sabe?
E então cada verso lido, ainda que não compreendido como verdadeiramente é, de alguma maneira é interpretado.
Queria poder escrever um romance, mas, pra isso eu deveria ter vivido um de verdade. Não?
Quem escreve um romance, já viveu realmente um?
Porque se não viveu, somente desejou, sonhou, cantou... bem, então eu também posso.
Mas as palavras jogadas ao ar, para a interpretação de diferentes mentes e olhos, é o que me atrai mesmo.
Poderia criar contos. É contos... Destes que as pessoas vão à padaria... Destes onde mulheres ricas sofrem de cleptomania.
Suspense? Bom, seria mais delicado, mas conseguiria também...
Poderia ser algum do tipo, ah, aquela senhora do calçadão é assassinada por não liberar o resultado correto do jogo do bicho.
Drama? Bom... não mesmo.
De sofrimento já basta o que eu vivo todos os dias.
Enfim...
Tudo isso eu faço na minha poesia.
Mas porque não né?
Por que não tentar...

Cara de pau.



Me poupe destas frases prontas para apenas desfrutar do meu corpo.
Me poupe desta cara de pau, desta voz e sotaque que até soa sensual.
Me poupe destes beijos calorosos.
Me poupe destes carinhos em meio a amassos.
Me poupe destas lembranças de apenas uma noite,
Ainda que prazerosa, me poupe.
Me poupe de ver teu ser.
Rever.
De ter.
De ter teu ser.
Me poupe de observar estes dentes separados,
Em meio a piadas sem graça de origem distinta a minha.
Me poupe de tudo isso.
Eu me pouparei,
Ainda que eu não queira querido,
Só não desejo que percas tua visão,
Para que todos os dias possa olhar no espelho esta tua cara de pau!
Me enojo de lembrar, que já havia depositado algo a mais além de simples desejos voluptuosos

À um ente querido.

Não foi a vida que me afastou, foi você.
Você iniciou um novo ciclo, do qual eu não faço parte.
Não preciso de quem não precisa de mim.
Não hesitarei...quando perguntarem eu direi que a escolha de perder minha amizade foi sua.
E eu? Eu sinto muito por você.

Há de chegar



Já senti falta demais.
Já senti suspiros 
Que não preencheram meu vazio.
Já senti frio no verão, 
Consequência das velhas tristezas amortalhadas 
Noutro lado da minha montanha de sentimentos.
Já senti muito
Por quem não sentia nada.
Já me joguei de cabeça 
Em pessoas mais vazias que eu.
Já desisti de mim tantas vezes 
E sempre sobrou um pouco de amor próprio 
Que me salvava.
Hoje vivo.
Aproveito os momentos.
São segundos eternos de
felicidade...
Eu sou feliz pra sempre nesses segundos.
Eu faço o que eu quero.
Eu sou o que eu quero.
E chegarei lá, bem longe...
Porque sonhar, ah, isso é muito bom.
Movimenta o mundo.
E só assim ele gira.
E gira.
Cedo ou tarde reencontramos algo ou alguém.
Cedo ou tarde conhecemos outros alguéns.
Outros *eu*
Outros *nós*
Cedo ou tarde alguém chega e soma.
Soma tanto que não haverá mais espaço na calculadora.
Há de chegar este dia...
E até lá, eu vivo cada momento.

Ela, só ela.



Aprendi que...
Bem. Eu não aprendi nada.
E nas madrugadas 
Não rolam vitrolas,
Não rolam carinhos,
Não rola nada...
O que rola é teu corpo
Pra lá e pra cá, numa cama de solteiro.
E então uma alergia desagradável faz arranhar teu seio...
E machucar aquelas duas pintas que, mesmo doloridas...
Não perdem a sensualidade.
E entre roncos do teu irmão caçula, 

O que se passa em tua mente não é nada,
Além do fato que nada tem dado certo pra você meu bem...
Talvez o certo não seja o melhor.
E teu pé direito balançará,

Até que não te sobre mais energias.
E adormecerá, como uma princesa...
E sonhará.
E desejará não acordar,
Só pra viver ali...
No mundo-perfeito-da-Srta.Saber.
Ela que de sabedoria não tem é nada,
Só finge.
Veste uma roupa de mulher bem resolvida de dia, mas, 

A noite chora vendo filmes de romance.
De dia, fria,

Odeia flores e emotions no facebook.
A noite, desabafa com o primeiro que lhe dá atenção.
Ela, só ela.
Não há ninguém igual.
Não há ninguém tão decidida 

A ser indecisa quanto ela no mundo.
Ela: ela é rara,

Ela é rara no mercado.
Ela: ela é cara,
Ela é caríssima!
Pessoas de valor, merecem valor

Pessoas de valor merecem...

Pausa autobiográfica.

Então soa estranho quando sinto um cheiro de um creme que eu usava naquela época. Lá em 2012.
Passou. 
E o som dos toques que eram também lá daqueles tempos que eu trocava mensagens com outras pessoas no whatsapp, que só ficaram naqueles tempos...
E as lembranças de quando morava sozinha...
Chegava em casa, tudo vazio...
Geladeira sem comida, dispensa também...
Sala sem móveis e, eu mesma vazia.
Era tudo tão legal! (...) só no começo.
Eu fazia tudo o que queria, sem limites, horários, ou reclamações.
..
Só que depois, era estranho.
Era ruim.
Triste.
Era como se eu me sentisse só na minha própria companhia.
Chorei por tantas noites... e no outro dia fingia que estava tudo bem.
Sorrisos fartos.
Como a pessoa mais feliz do mundo.
Tive que voltar a morar com meus pais, pra ver se algo começava a andar... afinal quase dois anos perdi nessa brincadeira de sair de casa atrás da minha liberdade.
Hoje sei que minha família quer meu melhor.
Só que, como explicar o fato de eu chegar em casa, e ainda me sentir só?
Ao menos já não sinto a solidão quando estou em minha companhia.
Já não tenho aquele medo de não arrumar mais um namorado...
Sim, queria. Mas o que fazer se aqui o mercado está escasso?
É complicado.
O que me entristece hoje, é só não entender algumas coisas da família, - da minha família. Sim eles querem meu bem. Mas onde eles estão quando eu não preciso deles? Pois quando eu preciso eles estão ali.
Mas e os almoços? Os cafés? Os programas de TV? Eu sempre estou ali. Eu me sinto uma ET. Será que eles pensam que agora eu falo outra língua?
Não sei explicar este sentimento de hoje.
Queria muito, mas não consigo.
Quero esfriar minha cabeça.
Quero dar um tempo e o mundo que me esqueça.
O barco agora está ao menos velejando.

Madrugada



Me via só na minha própria companhia.
E as pessoas no mesmo bar de sempre,
Cada uma em sua roda de conversa...
Algumas alegres,
Outras frustradas,
E eu ali, a observar.
Atenta no mesmo canto de sempre.
Pernas esticadas. 
Dona de mim.
Eu sou assim.

Foi-se

Se não fosse pra ser tudo como foi, eu não estaria aqui. 
Não seria como sou, 
Nem o que era.
Daquela garota antiga, 
Sobrou o riso e a vontade de amar em reciprocidade. 
O resto, foi-se com o vento.

Presa à mim



Eu estava perdida,
De passagem,
De saída...
Entre tantos enganos,
Poucos desenganos.
Encontrei a mim mesma,
Dentro do meu ser.
Minha alma transborda de paz.
Me encontrei.
Subi o abismo que eu havia cavado com meus pés.
Subi.
Eu o venci,
Pois ninguém além de mim poderia concluir tal missão.
Ninguém além de mim poderia me mudar.
Estou livre das negatividades alheias.
Estou presa à mim.
Isso basta.

Estação



Estação de trem.
Pessoas apuradas querendo trabalhar.
Estação de Primavera,
Flores que encantam.
Estação verão,
Pessoas suadas tomam quatro banhos por dia,
Pessoas cansadas, tentando suprir as frustrações de fim de ano com uma serva ao fim dia.
Época de Natal e toda a sua magia.
Estação Outono,
Folhas caem,
Dentes caem,
Caem pessoas,
Em abismos que cavaram com seus próprios pés.
Estação inverno,
É frio,
É uma cama de solteiro para cada seis de casal.
É horrível acordar cedo.
E pegar a estação de trem.
Onde só há pessoas querendo trabalhar.
É um ciclo vicioso.
São as estações da vida

Nua



Mesmo sabendo que não podia,
Acreditei,
Depositei.
Mas não amei,
Não tanto como achei.
Hoje me sinto leve.
Já nem lembro onde guardei aquela eu,
E todo aquele sentimento.
Estou como se estivesse nua.
Estou livre.

Nada nem ninguém

História que só eu vivi.
Sonhos que só eu tive.
Planos que só eu desenhei no papel.
É, não era pra ser assim.
Nada nem ninguém.

Pai Cartola

Cartola tanto fez,
Que foi pra mim, 
E eu sei,
É mesmo bem assim...
Como sua mais bela canção...
Não conheço bem a vida,
Mas já anuncio a minha partida,
Sem saber que rumo tomarei.
Em cada esquina cai um pouco da minha vida,
Em pouco tempo eu já não sou o que eu era,
E em mais um pouco não serei o que sou.
O mundo é mesmo um moinho,
Que triturou estes meus sonhos mesquinhos...
E reduziu minhas ilusões a pó...
De cada amor eu herdei só o cinismo
E já estou à beira do abismo,
Que eu mesma cavei com meus pé

Roubo


Eu tento.
Juro
Eu vivo tentando.
Mas eu não consigo.
Então eu sinto muito,
Sinto por toda decepção que causei.
Sinto por tudo.
Sinto muito pela minha existência.
Eu não quero mais olhar no espelho,
Não quero mais sofrer.
Não quero mais chorar.
Não quero mais nada.
Não quero mais ninguém.
Eu não tenho nada, então não preciso de nada além.
Sequer possuo a mim mesma.
Há tempos que me roubaram de mim.
Quem me roubou de mim?

Hey Dow!

Hey Dow!
Teu ser me transmite positividade,
Uma certa suavidade...
Em cada palavra trocada,
É como se fosse eu quem falava.
E então como faz,
Pra explicar esta paz que teu ser me traz?
Hey Dow!
Dormir sob o teu céu estrelado,
Talvez até do teu lado,
Algo assim inusitado...
Minha mente,
Vê e sente,
Tudo o que poderá dali sair,
Ser,
Ouvir,
Cantar,
Sorrir...
Vamos celebrar,
A Paz,
O Amor,
A União...
Vamos fazer uma canção,
Um reggaezinho do bom.
Vamos celebrar o nosso som.
Hey Dow!
É uma conexão muito forte,
Como um vento de Sul a Norte,
É tão intenso,
Como a brisa que balança meus cabelos...
Então eu penso,
Hey Dow, por que não?

Só Ele que traz!


Estar do lado do bem...
E a vida vai e vem.
Pessoas passam.
Carros passam.
Os suspiros já não são tão intensos.
Os pensamentos me fazem viajar.
E de repente eu perco as palavras...
Ao som de trovões,
Cheguei a me assustar...
Chove ali nas árvores,
E este barulho calmo,
Numa noite calma...
Sozinha na minha cama,
No silêncio da escuridão,
Meus pensamentos gritam,
E eles pedem socorro...
Eu sentenciei meus sonhos,
E meus pensamentos não querem aceitar.
Jah está ao lado dos fortes.
Plantar a semente do bem.
Da paz.
Aquela que só Jah traz.

Pessoas raras



É aquela sensação triste.
Ver os sonhos nadarem rio abaixo.
Desacreditar no amor.
Esquecer de toda e qualquer dor.
Ela só queria ser amada.
Ser valorizada.
Ter alguém que fizesse por ela algo que ela também fizesse por este alguém.
Ter alguém que pudesse abraçar quando algum trovão chegasse.
Ter alguém que fizesse carinho.
Que fizesse surpresas.
Alguém que a amasse intensamente.
Alguém que a fizesse acreditar novamente no amor.
Ela só queria alguém.
Mas ninguém foi bom o suficiente.
Ninguém a convenceu.
Ela não quis guardar ninguém no bolso como algo precioso.
Ela tem valor.
Pessoas de valor são raras.

Psicodelizar



Cada raio me traz a insegurança por estar sozinha.
Ter alguém deve ser bom.
Tu abraças e sente aquela coisa farta.
Como um colo de mãe.
Tu sentes segurança.
E pode viver teus sonhos de criança.
Pode comer doces,
Pode enlouquecer.
Pode se divertir,
Pode ser mais livre,
E psicodelizar.
Ser livre é o que há.
Ser feliz é o que há.

A coletiva


Te falo do fundo da garganta:
Barraca. 
Violão. 
Eu. 
Tu. 
Nós. 
A Lua.
Minha voz e a tua
Será assim.
Teu ser todo pra mim,
Nem que seja uns dois ou três dias,
Mas podes aguardar...
Serão os dias da magia.
Pode esperar.
A noite toda vai ser dia.

Apostando



Eu era minha,
Minha sina.
Eu era uma menina,
Que sonhava,
E fazia rima.
Hoje eu sou assim...
Um dia minha, 
Pouco presa a mim.
Noutros dias dos sonhos de outros.
O sonho dos que passam fome na rua.
Dos tantos que nem podem ver a lua,
O sonho dos cachorros que comem lixo,
Que são literalmente tratados como "bicho".
O sonho das pessoas que são pobres de alegria.
O sonho das pessoas que só precisam de uma palavra de conforto no dia a dia.
Hoje sou da vida.
Na chegada ou na partida,
A felicidade alheia se tornou a minha felicidade...
Aprendi a viver melhor nessa cidade.
Agora eu existo.
Agora eu insisto,
Em apostar no bem comum.
Se não, não haverá amor nenhum.
Eu aposto no amor.
Amor de família,
No amor animal,
No amor bom e puro.
No amor do caráter,
Eu aposto no amor,
Pra curar toda esta dor.

A boa e velha Palpite.


Talvez ele sempre soubesse que cada letra era dele.
Cada verso.
Cada suspiro.
Cada lágrima.
Cada gemido.
Cada saudade.
Cada Palpite.
Talvez ele sempre soubesse.
Mas guardara pra si.
E ela frustrada,
Segue dia a dia sem compreender o porquê deste destino.
E mal ele sabe o que palpita em seu coração,
Quando no rádio toca aquela canção...
Palpite.
E ela vem e insiste.
Já não tão triste
Pois sabe das voltas que o mundo dá...
Ela sabe o que virá.

Entre tantos



Eu fui o sonho
Fui o meu
O seu
Fui o nosso sonho.
Eu fui o sonho de outro.
De outros.
Eu fui o meu sonho.
Eu sou o meu sonho.
Eu sonho com meu sonho.
Eu sonho com o meu,
Com o seu,
Com o nosso sonho.
Nosso?
Não, meu.
Eu sonho.

Segunda, Setembro, 29.



As gotas caem do céu...
Neste clima, 
Sai de cima,
Da cama.
Sai de cena,
Minha sina,
Já não são as boas letras,
Nem as boas rimas.
As gotas caem tão rápido,
Fazem sons ritmados ao caírem contra as folhas das plantas.
E os cachorros uivantes não param de conversar.
E eu, eu só quero descansar.
Enquanto chove la fora,
Só fico a imaginar,
Por que pessoas ficam e outras vão embora?
O que resta mesmo é dormir e sonhar.
É segunda.
Ainda é Setembro.
É 29.
São 9h49.
Ainda chove.
E eu,
Eu dormirei.

O trem da vida



Eu lembro daquele rapaz do perfume bom.
Do coração bom.
Lembro bem quando ele me ensinou umas técnicas de como melhorar um ovo frito.
Aquele velho rapaz.
Seus velhos sinais.
Suas manias.
Sua paixão pela caixa de ferramentas.
Aquela rapaz com um gato doido chamado Bob Marley.
Lembro bem como ama lâmpadas e tudo que brilha...
E aquela lanterna linda, que ainda deve funcionar.
O rapaz do carro velho,
Aquele que não pegava.
Do carro que eu empurrava,
E até combustível as vezes eu colocava.
Lembro bem do churrasco que dei de aniversário,
Do peixinho de aquário,
E de todas as noites de amor.
Do meu amor.
Do amor que eu dei.
Lembro de tudo naquele rapaz.
Cada mania.
Cada paranoia.
Cada discussão.
Cada separação.
Cada reconciliação.
Lembro bem.
De tudo,
Dele todo.
E ele?
Já não lembra mais de quem demorou pra apagá-lo do coração.
Hoje, ainda lembro daquele rapaz do perfume bom.
Ele bóia aqui no meu mar de mágoas.
Tudo é aprendizado.
As maiores dores são aquelas que me proporcionam certos escritos.
Escritos certos.
Dores passageiras, neste trem da vida.
Deve-se dar valor para pessoas de valor.

Obrigada Jah



Novas ideias.
Cores.
Sabores.
Abraços.
Canções.
Emoções.
Novas etapas,
Depois de tantos outros tapas.
De cara amassada, mas, erguida,
Vamos seguindo a vida,
Que tudo há de melhorar.
Jah não falha em suas escolhas.
Ele nos dá a missão grande, pois sabe nossa capacidade.
Ah Jah!
Que gratidão!
Obrigada mesmo,
Eu te fiz esta canção.
E então,
Que emoção...
Estendo minha mão,
Para aos céus agradecer...
Meu espírito já sente, e eu posso ver,
Que muita coisa há de vir,
e que tudo me fará cada vez mais sorrir.
Gratidão Jah.
Gratidão.

Um João de Paz.



Talvez eu tenha pensado de mais.
Talvez eu chame um João, um João de paz.
Ele que me case com o destino.
Ele que continue suas casas de barro em cima dos postes de eletricidade.
Eu gosto de João-de-Barro.
Eu gosto de Bem-te-vi também.
Tanto que os vejo a todo instante aqui onde estou, tão distante.
Padres não aceitam fazer casamentos em campos...
Padres não aceitam fazer casamentos em praias,
Então, por mim, decidi chamar um João..
Um João de paz.
Ele que me case com o destino.

Uma noite um amor, um dia um adeus.



Roubaram-me de mim. 
Do meu ser.
Do que eu era.
Agora estou perdida em meio a escuridão.
Em meio a multidão.
Em meio ao meu sofrimento.
Não há solução.
Só ilusão.
Vontade de fugir.
Sair daqui.
Desta cidade.
Destas pessoas.
Deste amor jogado no lixo.
Destas ilicitudes que não me levaram a nada.
Destas atitudes que me trouxeram até aqui.
Aqui em baixo, no fundo do poço.
Cada ato uma consequência.
Isso movimenta o mundo.
Há pessoas demais aqui.
Uns tendem a sair, viajar... clarear os pensamentos.
Outros tendem a ficar aqui, parados, esperando a vida passar, e as coisas caírem do céu como chuva de algodão doce colorido.
Outros resolvem colocar um ponto final em tudo.
Sem dores.
Sem amores.
Sem mágoas.
Sem ilusões.
Sem desconfiança.
Sem erros.
Sem algodão doce colorido.
Sem nada.
Já vi o fim do mundo tantas vezes, agora ele será platéia da minha última peça teatral, nesta cidade nojenta chamada Jaraguá do Sul.
Aqui, onde o dinheiro prevalece.
O status prevalece.
E o Gari que limpa a sujeira de todos estes porcos hipócritas, sequer um bom dia recebe.