terça-feira, 31 de março de 2015

Vou dizer que está tudo bem,
Mesmo que aqui dentro, esteja tudo uma bagunça.
Vou dizer que está tudo bem,
Mesmo que não esteja,
Só pra não ter que explicar tudo outra vez.
Só pra não ter que juntar os pedacinhos do chão,
E tentar colar um sentimento que não existiu.

Pai




Eu poderia continuar o mesmo choro,
O mesmo drama.
Eu poderia ficar incontáveis horas aqui ainda,
Procurando uma solução,
Mesmo sabendo não haver qualquer uma.
Eu poderia imaginar mil versões de como as coisas seriam,
Se não fossem como exatamente são.
Eu poderia desejar outros amores.
Eu poderia optar por outras dores.
Eu poderia morrer.
Eu poderia escolher as coisas.
Eu poderia decidir por mim.
Eu poderia decidir por ele.
Mas um Ser maior decide as coisas por aqui.
Ele que manda na vida.
Não eu.
Não nós.
Ele que decide quem entra.
Ele que decide quem sai.
Morrer não é uma opção.
Morrer não é uma escolha.
A vida é uma loucura.
A vida é muito injusta também.
É como uma batalha...
Lutamos pra ficarmos vivos a cada instante.
E de repente, este Ser maior nos chama.
Tão somente a nós.
Sem mesmo avisar os mais próximos.
Então partimos.
Vamos ao encontro deste Ser maior.
Uns partem de maneira drástica.
Maneiras inaceitáveis.
Uns simplesmente partem.
Uns demoram.
Outros vão mais cedo.
Eu poderia muita coisa,
Mas eu não quero.
Este Ser maior, nos testa.
Quando alguém parte,
Nossa fé é testada.
E a minha,
Bem...
Está abalada.
A vida é realmente uma loucura.
Num piscar de olhos, ela acaba.

quinta-feira, 19 de março de 2015

O que você tem feito?




O que eu tenho feito?
Tenho esquecido certos defeitos,
Focada na minha dor e seus efeitos.
Tenho chorado nos cantos escondida.
Tenho ficado em silêncio,
Por saber que não há saída.
A morte chega à quem espera.
À quem não espera, ela chega também.


Sensacional

Sim,
Eu tô sensacional.
Eu tô sem nada,
Eu tô sem sal.
Tô animal,
Sem anticoncepcional.
Eu tô respirando fundo,
E sentindo meu emocional,
Ele tá sem efeito gravitacional,
Não tá deixando nada em ordem,.
Tô suspirando,
Sentindo ódio,
E aí eu choro,
Lágrimas que nascem
De lágrimas, que nascem
De lágrimas que percorrem meu rosto.

terça-feira, 17 de março de 2015

Not just a blues






Cada copo de whisky,
Que eu bebi ontem,
Bom, já nem sei quantos foram.
Te matei um pouco em cada gole,
Me matei um pouco em cada lágrima que caía,
Em cada lembrança,
Que apagava mais e mais,
Aquele fogo em nosso lance.
Isso não é mais um velho romance...
Agora nada mais está ao nosso alcance,
Acabou.
O que sobrou do amor
Foi apenas a sombra.

Do amor ao ódio.






É bem mais dolorido quando temos que cair sozinhos.
Cair não só na realidade,
Mas nos jogarmos mesmo,
Ao fundo de um poço,
Nos banharmos em lágrimas.
Aprender que,
Para aprender,
É necessário as vezes sofrer.
Cair,
No buraco,
Que nós mesmos cavamos,
Com nossos próprios pés.
Levantar sozinhos,
Sem mesmo um pequeno aviso de outrem.
Então,
Vamos do amor ao ódio em meio segundo.
O amor não é sentido,
Ele é feito.
Então pouparei o meu à quem realmente queira.

O bartender tinha razão

Sabe, aquele cara que afirmou tu ser um babaca?
Bom, ela só se arrepende de ter te defendido.
Tu sabes bem,
Sabes bem enganar,
Fingir sentimentos,
Plantar falsas sementes,
Ser hipócrita,
Babaca e cafajeste.
E ela já previa,
Mas não custava nada,
Pensar que tinha encontrado,
Alguém com caráter.

Fui





Sempre afirmei não esperar nada,
Mas,
Um pouco mais de consideração,
Já era pra estar no pacote.
Como não estava,
Fiquei a aguardá-la,
Ela não chegou.
Me cansei
E fui embora.

Truco





Foi num jogo de truco que ele apostou meu coração...
"Seis!!!" Disse ele!
Eu grite "Doze!!!"
E ele "Cai então!"


Eu tinha o gato.
Ele perdeu meu coração,
Perdeu a aposta.
Fiquei com o bem, pra cuidar e tentar sarar as feridas.
Fiquei com meu coração,
Ele perdeu, sem emoção.
Foi embora,
Sem cantar nossa canção.

quinta-feira, 12 de março de 2015

-Contos de uma madrugada qualquer. 3

O erro das Presunções



Despertar sentimentos incríveis, iludir o interesse nas pessoas sem ter um real interesse, é um ato covarde de pessoas sem caráter.
Uma pessoa madura não possui necessidade em iludir ninguém.


Era quarta, maior loucura na cidade... Tinha um evento com grande circulação de pessoas do país todo.
Estavam os dois num bar, cada um com olhos cravados na tela de seus celulares, procurando qualquer coisa que preenchesse o vazio entre eles naquela noite...
Ambos tomando uma cerveja, comendo amendoins, ele dispara:

“-Vou ao banheiro tá? Já volto...”

Ela sem pensar muito, abriu sua bolsa colorida, revirou...

Encontrou um papel velho e amassado, e nele escreveu:



Deixou o papel sobre a mesa, pegou sua bolsa, virou as costas e partiu, sob passos lentos, sentindo a dor da anunciação de um fim não esperado, sem sequer olhar para trás, pra ver se ele já havia retornado do banheiro.
Passaram-se anos, ela ainda o amava, mas nunca mais entrou em contato, e o manteve bloqueado em qualquer meio de comunicação.
Certo dia, o desbloqueou por curiosidade e resolveu pesquisar nas redes sociais sobre ele...
Eis o choque:
As últimas mensagens públicas eram de amigos, parentes e fãs, e diziam em sua maioria: “Saudades eternas!”

Sem crer nos fatos, pegou o celular, ligou para um amigo em comum dos dois...

Aos prantos, perguntou se era verdade tudo aquilo.

Ele responde: 
“-Sim, foi numa quarta-feira à noite, pelo que soubemos na época, ele foi encontrado no banheiro do bar mesmo... Sinto muito por ninguém ter te contado. Ele deixou um bilhete, que estava escrito “NÃO AGUENTEI ESSA ‘COISA’ PLATÔNICA...!”
Mas a gente nem sabia do que vocês tinham exatamente, desculpa e..."

Ela desligou o telefone, continuou aos prantos.
Num silêncio interior, seus pensamentos gritavam:
Ele nunca leu o bilhete, ele se suicidou sem saber do amor que ela sentia...
Ela deixou de viver aquele sentimento por falha de ambos.
Por medo de ambos. Por presunções de ambos.
Ela nunca mais amou ninguém, sequer teve contato com outro homem.
Ela só queria que a vida acabasse logo, para encontrar seu amor naquele céu que agora habitava.

quarta-feira, 11 de março de 2015

-Contos de uma madrugada qualquer. 2



O bom velhinho


Era um sábado, destes, que as pessoas estão sem rumo e param em qualquer boteco, para refletir a vida.
A garota sentou na área de fumantes, abriu sua budweiser, tomou uns 3 goles... Acendeu seu malboro filtro, e começou a tragá-lo, soltando a fumaça ao ar, vendo ela dançar
feito bailarina torna com um céu imenso e escuro ao fundo.
De repente, eis que surge um velhinho, barba branca, boina, cheio de estilo, e sem pedir licença, ele fala:


"- Ele não faz nem ideia da sorte que tem por te ter com ele, né?"

Ela, suspirou num singelo sorriso, por pura simpatia e respondeu:

"- Poderia ter dito isto à ele antes dele partir."

Então, sem mesmo pedir permissão, ou trocar quaisquer outras palavras com aquele velhinho, ela o abraçou, com toda a força e vontade do mundo, e sob os ombros dele, chorou, soluçou, esperneou... Sem entender, ou mesmo aceitar a vida como ela é, ela não queria saber de mais nada naquele momento, além da companhia do bom velhinho.

-Contos de uma madrugada qualquer.

-Contos de uma madrugada qualquer. 1



Confortável no banco



Ela sabia que iria morrer.

Sem muita esperança, tão logo pelos exames, tão logo pela pressa de findar os sofrimentos...ou quem sabe tão logo pela sua loucura e medo de que partisse mesmo, assim, rápido...


"- Todo o meu amor é teu!"


Gritou ela, aos setes ventos, num evento com doze mil pessoas.


Por desespero, gritou outra vez:


"- Todo meu amor é teu!"


As pessoas sorriram, e continuaram suas rotinas.

Mal sabiam, que aquela seria a última frase da garota.

Num suspiro, longo e último, ela partiu. Ali mesmo, sentada no banco da praça.

Foi feliz, afinal, depois de muito tempo sonegando o sentimento, seu amor estava declarado à quem interessasse.


-Contos de uma madrugada qualquer.

Autoflagelo


Tudo caminha,
Depressa,
Sem controle,
Dos dois lados,
Então surgem certas dores,
Não sentidas há tempos,
Mas eu finjo,
Finjo bem.
Possuo incertezas absolutas,
Sofro no meu silêncio,
Sou feliz sendo triste.
Medo.
Incertezas.
Presunções.
Decisões,
Forçadas e doloridas.
Distância que separa dois corações.
Não há como evitar,
Algo inevitável.

Burlando o sistema


Eu faço versos,
Pra tentar fingir,
Pra tentar suprir,
A dor do tempo
Do tempo da tua ausência.
O destino é traidor,
E pra evitar tanta dor,
Eu o surpreendo.
Antes que me leve,
Eu mesma me vou.
Não esperava por isso,
Não é Sr. Destino.
Tu que sempre conseguiu estragar tudo,
Agora é apunhalado pelas costas.
Burlando o tempo,
O sistema,
E todas as regras,
Cansada de lutar por causas
Que só foram nobres pra mim
Eu decido as coisas agora.
Não preciso buscar forças,
Elas já não são necessárias.
Me entrego,
Não nego,
À mais um período,
De uma incansável solidão.

Com um todo

Tua atenção me admira.
Tu te tornaste dono de pura ousadia.
Poderia ter sido menos babaca,
E contemplar somente belos versos meus,
Mas não,
Teve que ser como todos,
Te igualar à todos os outros babacas barbados no universo.

Delírios de morfina.


Dores.
Cores.
Sabores.
Desamores.
Esta sou eu,
Tentando evitar,
O inevitável.
Numa maca de hospital,
Navegando neste meu mar,
De ilusões,
De presunções,
De mágoas.
Surfando nos prantos,
Que minhas lágrimas formaram.
Eis que se anuncia o fim,
E,
Ele é esperado por todos.
Então quando você lembrar, talvez eu já tenho esquecido.

Teus versos


Toda dor
Se apaga,
Se paga,
Com versos.
Não!
Mentira,
Que atira,
Os versos,
Tão certos,
Tão teus,
Tão meus,
Além de feitos
Dos teus mais belos defeitos,
São os meus suspiros mais profundos,
E doloridos.
Teus versos,
Tão certos,
Tão teus,
Tão meus
Momentos de angústia,
Tentativas de um encontro com o fim.
Teus versos,
Tão certos,
Tão teus,
São meus
Gritos de socorro,
Num silêncio em minha mente,
Arranhando meu interior,
Descolando o vaso que já estava quebrado.
Teus versos,
Tão certos,
Tão errados,
Não me permitem mentir quanto ao erro,
Ao erro de escrevê-los,
Ao erro de relê-los.
Ao erro de vivê-los,
Como uma bela história de amor.
O amor é uma flor roxa, que desabrocha nas noites de terça.

sexta-feira, 6 de março de 2015

O início do Fim.


Sempre alguém aparece,
Por um momento me estremece...
E cada vez que isso acontece,
Eu te mato um pouco dentro de mim,
Até que acabe de vez, assim,
Agora se dá o início do Fim,
Sem pedir,
Sem ficar,
Nem ir,
Sem plano divino,
Sem lances de destino,
Por simples motivo,
De ser o que é,
E de ter sido como foi.

O perfume


Difícil declarar,
Então prefiro sonegar,
Este amor,
Se perdeu,
Nas linhas do papel,
Nestes poucos tantos quilômetros de distância.
Te proponho a paz,
Da minha ausência.
E é no cheiro do mal,
Que te peço, you back?
Talvez só eu entenda,
Que o perfume,
Ele é sensacional.

Um passado presente.

E desde quando tu sabes o que é amar?                                                                                                   Desde quando te dei permissão para pular a janela do meu coração?
Não bastou fechar as portas dele pra ti não é?
Eu não disse que isso ia acontecer?
Lembra?

segunda-feira, 2 de março de 2015

Sem teto


Eu não vou mentir.
Nem pra mim.
Nem pra ti.
Eu vou sim,
Gritar pro mundo,
Te quero assim,
Desse jeito,
Desse nosso jeito perfeito.
É como um sonho,
Em noite de insônia.
Eu sempre fiz chover amor,
E encontrei telhados demais.
Agora,
Na tua cabana sem teto,
Eu faço chover amor,
E podemos ver o céu todo estrelado.