segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Não sou como você pensa.


Revelo coisas que me deixam tensa. 
Oposições internas, manifestações latentes.
Em uma realidade humana, que não se vê, está oculta, mas se sente. 
Minha realidade. Ter o ser. Ser o ser.
Viver, durar, permanecer, subsistir. 
Haver. Com êxito. 
Não sou como você pensa. 
Sou como a batuta, marco o compasso e o andamento da música, como a mesma sendo minha vida. Música e vida. 
Vida e música. Arte de combinar sons ao ouvido. 
Sons agradáveis. Harmoniosos. 
Vida. Suavidade, ternura, doçura, como a música. 
Sou musicista. Versada nestes assuntos. 
Exerço esta arte. Doença da musicomania. 
Tendência mórbida. Paixão pela música.
Canto vivo. Vivo canto. Narro histórias dos homens e do ambiente que me cerca. 
Formo. Emito com minha voz sons ritmados. 
Somente cantando que revelo outro eu... 
Outra realidade. Outros sonhos. 
Exprimo tudo por meio da arte, por meio da música. 
Quem não seduz com palavras meigas e tentadoras?
Somente com a música que traduzo, demonstro, manifesto.
Que me conheço como realmente sou. 
Não sou como você pensa.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Tenteentender.


Nascimento. 
Que sorte!
Oito meses se passam, dia de uma morte. 
Dois de novembro, finados. 
Dezenove de dezembro/93, aniversário de falecimento. 
Dois mil e onze, dezoito anos imaginando a voz,
a altura, os hábitos.
O jeito de assar a carne na churrasqueira e limpar os dentes com o palito.
Não sei! 
Não aconteceu! 
Não acontece! 

Saí.

 



Como um sonho, uma abalada. 
Corrida. 
Retirada. 
Partida súbita e inesperada. 
O inseguro instável. 
Enfraqueci-me. 
Perceba que estou mesmo perturbada. 
Causei abalo no que estava firme. 
Fiz tremer, sacudi. 
(...) (...) (...) 
Movi-me ao amor,
 À piedade, 
À simpatia. 
Desassossegada e inquieta. 
Despersuadida, causando agitação em todos ao meu redor. 
Essa é a tal da graça na vida. 
Na minha vida. 
Estimulo, impulsiono. 
Arremeto, ataco, avanço. 
Ando, caminho, corro. 
Estou indo. 
Veja minha partida. 
Estou saindo. Saí.

Surpresa.



Numa abaixadela. 
Rapidamente arriada. 
Eu estava abrandada,
Minorada, 
Suavizada.
Tomei raso, aplanei,
Nivelei,
Afundei,
Cedi,
Desci,
Assentei...
Mas não conti o impulso agressivo.
Apenas avistei uma joaninha vermelha com bolinhas pretas. Atração pela beleza.
Fascinação, encanto, enlevo...
Ela, ali,
Ser tão pequenino, paralisou-me o olhar.
Atraiu-me irresistivelmente,
Inseto deslumbrante.
Dominou minha atenção, minha mente
E meu interesse nas pequenas coisas com grande importância na vida.

O abafo.



Eu estava abafada. 
Coberta, 
Tapada. 
Num calor sufocante. 
Lugar mal ventilado. 
Contida. 
Reprimida. 
Depois de contrariada, 
Aflita.  
Agoniada, 
Mente extremamente ocupada. 
Estava amortecendo vibrações de sons,
 Num ambiente irrespirável. 
Asfixiada, 
Sufocada. 
Obstarei à combustão. 
Estou amortecida,
 Diminuída. 
Contida, 
Escondida num lugar escuro, porém, 
Ainda apareço com destaque. 
Dominando, 
Suplantando. 
Agasalhada. 
Ganhei todo o dinheiro que o banqueiro tinha. 
Sonho. 
Eu estava abafada.

Inexprimível.


Estão cozinhando pratos novos, não é apenas um grupo de amigas, com suas calças 
coloridas
chamando a atenção.
Por traz de tanta magia, fantasia e imaginação, 
existem sonhos realidades e pesadelos. 
Novos cortes de cabelos.
Imbróglia eu com tantas mudanças. 
Gerações novas se ridicularizando com novas danças.  
Não! Não é a adiposidade que tomou conta de mim. 
O sedentarismo? Ah! Esse talvez sim!
(...) 
Já se foi o tempo em que o velho era adorado. 
Nossas mães faziam bordado,
e os pais nos ensinavam a soltar pipa e peão.
Hoje, a realidade não está mais na nossa mão. 
Nossa vida, sem fronteiras, sem barreiras. 
A mídia nos dominando semanas inteiras. 
Não existe mais personalidade, e sim falta de humanidade,
isso é a ambigüidade. 
Nossos olhos, meus olhos, molhados. 
Cabeça erguida. Olhar pra frente 
e seguir a vida. 
Supra meus desejos. 
Siga-me.

It’s me.






Minha vida é um filme. Quem escreve o roteiro, sou eu, porém o elenco nem sempre é o mesmo.





Agora, apenas aqui.


Agora, apenas aqui.
Lendo um bom livro.
Ao som do trem a menos de 50 metros à minha direita...
O panorama, límpido como água cristalina.
 Mente limpa.
São 07h38min da manhã, e eu, agora, apenas aqui.
As páginas do livro se consomem mais rápido que os vagões do trem no horizonte,
Assim como a vida é passageira.
Passamos todos os dias pelos mesmos lugares,
Vemos aos arredores as mesmas caras,
Ouvimos as mesmas tosses,
Vemos e sentimos os mesmo sorrisos.
As rotinas, nunca mais foram inovadas.
E apenas num dia da semana,
Nunca se sabe o qual,
Há a surpresa da mudança:
Pessoas ficam paradas antes do trilho do trem,
Com o tédio estampado na cara,
Tal símbolo emblemático de perda de tempo na vida...
Paradas, esperando que o trem logo passe.
Ao passar, as mesmas caminham com a pressa sobrecarregada nos ombros.
E agora, eu, apenas aqui,
Já não mais lendo, e sim observando tais situações...
O panorama já não está mais limpo, por tanto tédio emblemado nestas pessoas.
Que não sabem que a vida é passageira, bem como o trem.
Que temos que aproveitar cada segundo dela,
Como se fosse o único.
O livro se fecha.
Os vagões terminam.
O som termina.
O silêncio consome o tempo.
O tempo consome o silêncio. 
E a inspiração, ela continua.
Num suspiro fundo,
E reticências para continuação,
Pois nada é para sempre,
O pra sempre,
É nada,
E o nada existe,
Por isso continuarei.
Vivemos no eterno,
Que não existe.
Tudo fictício.
Só os sonhos são eternos.
E quase nunca possíveis de se realizar.
O cheio está vazio.
O quente frio.
Minha alma não está seca, nem vazia.
Somente inexistente.
E eu, agora, apenas aqui. (...)

Sobressalto.

Numa noite de qualquer  verão,
Seguindo o velho caminho,
Só eu e minha solidão...
Noite a fora caminhando na escuridão...
De repente, um suspiro no susto desperta um pingo de esperança...
No meio de todo aquele nada,
Um casal de vaga-lumes pisca continuamente suas traseiras,
Brincam com toda aquela cor fosforescente,
Que brilha na obscuridade,
Sem calor nem combustão,
Só por natureza...
Já não houve mais naquela noite,
Naquele caminho,
A solidão,
O estar só,
O estar sozinho.
Eu e os vaga-lumes noite a fora.
Eu colocando em prática a realidade.
Sentindo diferentes palpitações.