quarta-feira, 5 de novembro de 2014

O amor pela Terça-Feira

Era terça-feira, novembro, dia 02.
O ano de 2010 fora incrível para Luana, a cidade organizou-se bem em sua maioria de eventos.
Como qualquer dia normal, Luana levantou-se antes do horário, banhou-se, tomou um rápido café da manhã e fora rumo ao trabalho.
Mas não era um dia qualquer, era terça-feira, e como toda terça-feira, era um dia especial na cidade.
Luana amava toda e qualquer terça-feira.
Já sabia o cronograma, e então iniciou-se:
Como era cedo, decidira passear pelo calçadão do centro da cidade.
Viu novamente como tudo era horrível naquele horário matinal, todo o lixo misturado com as folhas das árvores caídas ao chão. Era tão cedo que nem os garis que limpam o local haviam chegado. Só havia uma única coisa positiva em toda esta situação, o silêncio. O silêncio numa cidade de 145 mil habitantes é raro.
Luana tinha um propósito para estar por ali tão cedo.
Ela queria ler um livro, queria aproveitar este momento de silêncio, para aguardar a surpresa de terça-feira.
Sentara num banco, iniciara sua leitura. Era um livro desses, onde o artista explica o porquê de suas mais belas canções.
O tempo passa, e as ruas começam a tomar forma, pessoas apressadas andando para todos os lados, procurando o rumo de seus trabalhos.
Após uns minutos, as páginas se consumiam rapidamente, e então, eis que chega a tão aguardada surpresa!
O trem!
A exatos 50 metros de distância de Luana, os vagões do trem passavam!
Os trilhos cortam alguns caminhos da cidade o que acaba impedindo a passagem de carros e o movimento de pedestres.
Luana adorava quando era dia de trem, portanto, era automático seu amor pelas terças-feiras.
O trem é passageiro, assim como a vida de todos.
Só nas terças as pessoas param, esquecem de seus compromissos, umas reclamam pois o trem as atrasa... Outras, como Luana, simplesmente aproveitam. Saem da monotonia, pensam de como a vida é passageira, portanto, deve ser aproveitada. Conseguem ver outras faces, outras pessoas reais, com outros tantos problemas reais. 
Classes distintas, mas que na passagem do trem tornam-se iguais, por estarem com o mesmo objetivo de querer chegar ao outro lado.
Algumas até arriscam um singelo "bom dia", desencadeando uma vida normal, onde pessoas normais se comunicam além de smartphones.
E então, os vagões terminam, Luana fecha o livro, e corre rumo ao trabalho, com a esperança de que aquela terça-feira tenha mudado os pensamentos de muitas pessoas que observaram os vagões do trem.



Insonia



Deitada desde as 19h de ontem,
Meu ser está cansado mas não adormece.
São 6h agora.
Os pássaros cantam a todo vapor ali fora.
Meus pensamentos me atormentam.
Eu sei bem que nada aqui faz sentido.
Sei que a única coisa exata é a dúvida.
Também não sei onde estás meu caro,
O que me resta é crer que habitas um lugar melhor que o meu.
Neste meu mundo de ilusões,
Habitas um céu durante o dia,
E nas noites, bem, sei que está por perto.
Me ajude a dormir.
Oh meu caro,
Porque partiste tão cedo?
Antes mesmo de eu dizer tudo o que ainda guardo...
Antes mesmo de eu dar o primeiro passo...
Falar a primeira palavra.
Se estivesse por aqui talvez poderia ser 'papai'.
Oh meu caro, não há explicação.
E talvez o Cassiano tenha razão.
O céu sequer existe.
Só há dor e mágoa em meu coração.
Porque pai?
Porque meu caro pai?
Estou farta de tantas dúvidas.
Estou farta há anos já.
E não há nada que eu possa fazer.
A não ser dizer,
Que nada faz mais sentido,
Sequer fez um dia.

Dois meses

Eu escolhi entre a ilusão e a realidade.
Já faz uns dois meses e bem,
Meu mundo de ilusões é bem mais divertido que muitos mundos reais.

Pequeno mundo

Hei de sonhar com o príncipe barbado.
Hei de esperar chuva de algodão doce colorido...
Hei de esperar o Papai Noel com meus biscoitos e leite no Natal.
No meu mundo de ilusões quem comanda sou eu...
Assim não há sofrimento.

Velejando



Um dia incomum,
Esse tal 02 de Novembro é sempre um mar de dor.
Sequer te vi este ano.
Sequer te visitei...
Sequer te vi em 21 anos.
Tantos planos, sonhos...
Expectativas.
Frustrações.
Sequer tenho certeza se me escuta.
Se escuta meu choro.
Minhas súplicas.
Eu realmente trilhei parte de um caminho errado,
Não há nada que eu possa fazer,
E ninguém vai sentar aqui na cama comigo e me explicar o porquê de tudo isso.
O porquê da tua partida.
Nunca findará a dor,
E ninguém irá suprir a falta do teu amor.
Pai, fique tranquilo.
Aliás sequer sei onde está como, posso desejar uma condição tua de estado emocional?
Não são mais dúvidas sobre o porquê de tudo,
São certezas de que nada mudará,
De que aquele dia não voltará.
E enfim, queria ao menos um dia,
Uma tarde que fosse,
Um almoço talvez.
Acho que Deus não é tão bom como dizem.
O que me resta é velejar o resto dos meus dias nesse meu mar de mágoas

Vozes


Talvez certos transtornos psicológicos,
Avizinharam-se sem que eu notasse,
Agora vejo, casas cheias, cabanas, condomínios residenciais,
Todos absurdamente cheios deles.
As atuais dificuldades contribuem para certos planos.
Planos já feitos, e nunca fatais, por simples medo ou fracasso.
As coisas perdem o sentido muito fácil.
E na hora, o que possuía fio perde o corte,
A dor é eternizada em poucos segundos.
Deve haver alguma outra saída que não seja tão dolorosa,
Ou até mesmo tão suja.
A vida deve mesmo ser vivida?
Estou só na minha própria companhia.
A solução de certos conflitos parece impossível,
Parece simples ilusão.
Só há uma fuga disso.
E todas as vozes que me atormentam,
Indicam só este caminho.