Era terça-feira, novembro, dia 02.
O ano de 2010 fora incrível para Luana, a cidade organizou-se bem em sua maioria de eventos.
Como qualquer dia normal, Luana levantou-se antes do horário, banhou-se, tomou um rápido café da manhã e fora rumo ao trabalho.
Mas não era um dia qualquer, era terça-feira, e como toda terça-feira, era um dia especial na cidade.
Luana amava toda e qualquer terça-feira.
Já sabia o cronograma, e então iniciou-se:
Como era cedo, decidira passear pelo calçadão do centro da cidade.
Viu novamente como tudo era horrível naquele horário matinal, todo o lixo misturado com as folhas das árvores caídas ao chão. Era tão cedo que nem os garis que limpam o local haviam chegado. Só havia uma única coisa positiva em toda esta situação, o silêncio. O silêncio numa cidade de 145 mil habitantes é raro.
Luana tinha um propósito para estar por ali tão cedo.
Ela queria ler um livro, queria aproveitar este momento de silêncio, para aguardar a surpresa de terça-feira.
Sentara num banco, iniciara sua leitura. Era um livro desses, onde o artista explica o porquê de suas mais belas canções.
O tempo passa, e as ruas começam a tomar forma, pessoas apressadas andando para todos os lados, procurando o rumo de seus trabalhos.
Após uns minutos, as páginas se consumiam rapidamente, e então, eis que chega a tão aguardada surpresa!
O trem!
A exatos 50 metros de distância de Luana, os vagões do trem passavam!
Os trilhos cortam alguns caminhos da cidade o que acaba impedindo a passagem de carros e o movimento de pedestres.
Luana adorava quando era dia de trem, portanto, era automático seu amor pelas terças-feiras.
O trem é passageiro, assim como a vida de todos.
Só nas terças as pessoas param, esquecem de seus compromissos, umas reclamam pois o trem as atrasa... Outras, como Luana, simplesmente aproveitam. Saem da monotonia, pensam de como a vida é passageira, portanto, deve ser aproveitada. Conseguem ver outras faces, outras pessoas reais, com outros tantos problemas reais.
Classes distintas, mas que na passagem do trem tornam-se iguais, por estarem com o mesmo objetivo de querer chegar ao outro lado.
Algumas até arriscam um singelo "bom dia", desencadeando uma vida normal, onde pessoas normais se comunicam além de smartphones.
E então, os vagões terminam, Luana fecha o livro, e corre rumo ao trabalho, com a esperança de que aquela terça-feira tenha mudado os pensamentos de muitas pessoas que observaram os vagões do trem.