domingo, 31 de março de 2013

Conjunto em Poema: Conversa de dois grandes amigos

Em meio a este dia.
Não um simples dia.
Um domingo ensolarado.
Um domingo de Páscoa.
Desabafe,
Estou aqui.
Desabafe meu amigo.
Este ombro está distante, mas sinta o aconchego de minha amizade.

Enfim,
Sobre o que e em que tempo...

Isso seria um começo?
Continue caro amigo...

Olhe (...)
Aqui onde estou,
Sentado à beira da praia,
Com barcos pesqueiros à vista...

Está consumindo da solidão?
Em meio a este límpido panorama?

Vastidão,
Devassidão,
Versos ao acaso,
Vocábulos do vasto vernáculo,
Desenterrados do arcabouço cognitivo,
Tudo tão sem sentido,
Tudo tão triste e sozinho,
Meditando,
Refletindo,
Carente,
Gamo na grama.

Tomar conta do vazio,
Tomar raso,
Aplanar,
Entendo.
(...)

Nas folhas cobertas de orvalho,
Nas cadeiras vermelhas cobertas pela sujeira da chuva de ontem,
Nas lixeiras,
Nos zimbros e na sombra que reúne amigos,
Nas enferrujadas cercas tomadas pela maresia,
Destruídas pelo mesmo sal que trás à vida,
Apaixono-me pela areia que reflete a luz solar,
Pelo sol que aquece a água do mar,
Pela lagoa salgada, sem onda, que estou a observar,
Queria ser um barco,
Um desses muitos barcos,
E apenas zarpar.
Zarpar de mim,
Deixar-me aqui
Enquanto eu fosse embora,
Um pouco âncora,
Um pouco vela,
Um pouco aqui,
Um pouco lá,
Um pouco meu,
Um pouco dela.
E a solidão...
Ah, a solidão...
É caravela,
A singrar os mares do meu peito,
Vagando ao sabor dos ventos,
Do amor e ódio
Das marés,
Dos sentimentos opostos,
E eu, como um barco,
Procuro algo,
Um leme, que me dirija e me leve ao longe.

Acalme-se caro amigo,
Teu longe está perto.
Estou aqui, tu aí,
Ela está lá.
Ela sabe de todo o caminho que já percorreste.
Ela te conhece.
Te chama.
Te ama.
Te ama na cama.
Entre idas e vindas, aí estão.
Entre mortos e feridos.
Entre cheios e vazios.
Entre o quente e o frio.
Entre seus gemidos,
Que não são sempre de prazer.
Mascarando sentimentos ela esteve há muito tempo...
Agora, revela-se.
Agora, na realidade que era oculta, perde-se,
Neste abismo que chamamos de paixão.
Ela, tão perto de ti, fica sem chão.
Seu coração, lento e rápido ao mesmo tempo.
Ela chora,
Mas não vai embora.
Ela fica,
Fica e te irrita.
Ela te ama.
Tu a amas.
E a vida, está sempre aí.
Há de ser vivida.
O ontem, o hoje, o agora.
Pintar em tela o hoje.
Desejar o amanhã.
Sem planos.
Sem meros dessabores.
Sem nada.
Nada além deste teu panorama de agora.
Tão calmo em cima.
Tão turbulento em baixo.
Este mar daí...
Estes barcos...
Tudo o que imagino daqui...
E eu, aqui.
(...)
Esta janela ao meu lado...
Essas cortinas brancas e laranjas, balançando com a brisa deste vento.
Mesmo vento que sentes aí agora.
Caro amigo, não fujas de si.
Não vá embora.
Estarei sempre aqui.
Sempre e sempre, em qualquer hora.
Agora, aqui, sozinha...
Vejo os desenhos que formam no céu essas nuvens...
E penso meu caro Rubens,
Que dia lindo
Vamos vivê-lo, como se fosse o último.
Você aí com teu panorama marítimo...
Eu aqui, com esta janela, este vento...
Toda conversa tem um fim, 
E é isso para o momento.

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