terça-feira, 2 de novembro de 2010

Agora, apenas aqui.


Agora, apenas aqui.
Lendo um bom livro.
Ao som do trem a menos de 50 metros à minha direita...
O panorama, límpido como água cristalina.
 Mente limpa.
São 07h38min da manhã, e eu, agora, apenas aqui.
As páginas do livro se consomem mais rápido que os vagões do trem no horizonte,
Assim como a vida é passageira.
Passamos todos os dias pelos mesmos lugares,
Vemos aos arredores as mesmas caras,
Ouvimos as mesmas tosses,
Vemos e sentimos os mesmo sorrisos.
As rotinas, nunca mais foram inovadas.
E apenas num dia da semana,
Nunca se sabe o qual,
Há a surpresa da mudança:
Pessoas ficam paradas antes do trilho do trem,
Com o tédio estampado na cara,
Tal símbolo emblemático de perda de tempo na vida...
Paradas, esperando que o trem logo passe.
Ao passar, as mesmas caminham com a pressa sobrecarregada nos ombros.
E agora, eu, apenas aqui,
Já não mais lendo, e sim observando tais situações...
O panorama já não está mais limpo, por tanto tédio emblemado nestas pessoas.
Que não sabem que a vida é passageira, bem como o trem.
Que temos que aproveitar cada segundo dela,
Como se fosse o único.
O livro se fecha.
Os vagões terminam.
O som termina.
O silêncio consome o tempo.
O tempo consome o silêncio. 
E a inspiração, ela continua.
Num suspiro fundo,
E reticências para continuação,
Pois nada é para sempre,
O pra sempre,
É nada,
E o nada existe,
Por isso continuarei.
Vivemos no eterno,
Que não existe.
Tudo fictício.
Só os sonhos são eternos.
E quase nunca possíveis de se realizar.
O cheio está vazio.
O quente frio.
Minha alma não está seca, nem vazia.
Somente inexistente.
E eu, agora, apenas aqui. (...)

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