quinta-feira, 12 de março de 2015

-Contos de uma madrugada qualquer. 3

O erro das Presunções



Despertar sentimentos incríveis, iludir o interesse nas pessoas sem ter um real interesse, é um ato covarde de pessoas sem caráter.
Uma pessoa madura não possui necessidade em iludir ninguém.


Era quarta, maior loucura na cidade... Tinha um evento com grande circulação de pessoas do país todo.
Estavam os dois num bar, cada um com olhos cravados na tela de seus celulares, procurando qualquer coisa que preenchesse o vazio entre eles naquela noite...
Ambos tomando uma cerveja, comendo amendoins, ele dispara:

“-Vou ao banheiro tá? Já volto...”

Ela sem pensar muito, abriu sua bolsa colorida, revirou...

Encontrou um papel velho e amassado, e nele escreveu:



Deixou o papel sobre a mesa, pegou sua bolsa, virou as costas e partiu, sob passos lentos, sentindo a dor da anunciação de um fim não esperado, sem sequer olhar para trás, pra ver se ele já havia retornado do banheiro.
Passaram-se anos, ela ainda o amava, mas nunca mais entrou em contato, e o manteve bloqueado em qualquer meio de comunicação.
Certo dia, o desbloqueou por curiosidade e resolveu pesquisar nas redes sociais sobre ele...
Eis o choque:
As últimas mensagens públicas eram de amigos, parentes e fãs, e diziam em sua maioria: “Saudades eternas!”

Sem crer nos fatos, pegou o celular, ligou para um amigo em comum dos dois...

Aos prantos, perguntou se era verdade tudo aquilo.

Ele responde: 
“-Sim, foi numa quarta-feira à noite, pelo que soubemos na época, ele foi encontrado no banheiro do bar mesmo... Sinto muito por ninguém ter te contado. Ele deixou um bilhete, que estava escrito “NÃO AGUENTEI ESSA ‘COISA’ PLATÔNICA...!”
Mas a gente nem sabia do que vocês tinham exatamente, desculpa e..."

Ela desligou o telefone, continuou aos prantos.
Num silêncio interior, seus pensamentos gritavam:
Ele nunca leu o bilhete, ele se suicidou sem saber do amor que ela sentia...
Ela deixou de viver aquele sentimento por falha de ambos.
Por medo de ambos. Por presunções de ambos.
Ela nunca mais amou ninguém, sequer teve contato com outro homem.
Ela só queria que a vida acabasse logo, para encontrar seu amor naquele céu que agora habitava.

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