terça-feira, 6 de agosto de 2013

Meu eu no Homero



Sempre desejei um Beta.
Era um desejo bobo, de infância.
O chamaria de Homero.
Dito e feito.
Sempre desejei um Beta.
Um peixinho azul esverdeado.
O Homero.
O meu Homero.
Hoje eu o tenho.
Sempre desejei um Beta,
Mas nunca soube bem o porque.
Betas tendem a viver sozinhos,
Não precisam de mais ninguém para dividir sua leve vida,
De peixinho de aquário.
Sempre desejei um Beta.
Hoje eu sei bem o porquê.
Minha vida é feita um aquário.
Calma certos dias.
Turbulenta noutros.
Nada é fácil aqui.
A solidão é costumeira.
Minha vida é feita um aquário,
Transparente a quem vê.
Sou como um peixe Beta.
Vivo na minha individualidade.
O Beta não é feliz assim.
Eu converso com o Homero,
Com ele divido minhas mágoas.
O Beta não é feliz assim.
Eu também não.
Minha vida é feito um aquário.
Um círculo de vidro,
Cheio de pedras, e enfeites para demonstrar suposta felicidade.
Um círculo de vidro,
Que cai e quebra com facilidade.
Sempre desejei um Beta.
Hoje eu o tenho.
Tenho o meu Homero.
E lá no aquário me vejo.
Vejo meu eu no Homero.

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