terça-feira, 6 de agosto de 2013

Ela está confusa.



Então, ela disse que seria melhor assim para ambos.
Ele disse que concordava, pois não estava feliz.
Agora ela, sozinha em seu quarto, 
O velho quarto de sempre,
Com seus objetos estranhos e engraçados,
Com seus ursos de pelúcia...
Seus instrumentos musicais...
Com seus livros...
Ela, ali, desolada.
Reflete que realmente fez tudo errado na vida.
Ao invés de aprender com o primeiro erro, ela continuou a errar.
Está certo, seres humanos erram, mas repetir os velhos erros, aí já é demais.
Ela começou da maneira certa, porém, hoje sabe que foi a maneira errada.
Ela chora.
Sente o arrependimento.
Arrependimento profundo.
Ela sente falta daquela vida,
Aquela, por dentro da barriga da mãe,
Onde não havia preocupação nenhuma.
Hoje, ela se sente outra pessoa.
Uma boa pessoa.
Uma pessoa melhor da que era antes.
Porém, ela ainda sente a falta daquela vida.
E se ela pudesse nela voltar, seria tudo diferente.
Ela estragou sua própria vida.
Agora ela chora, com ciência de que nada voltará
Cada lágrima que cai, é por esta dor enorme que a consome.
Ela não foi uma boa filha.
Não foi boa aluna.
Não foi boa namorada.
Não foi boa amiga.
Ela reconhece.
Reconhece todos os velhos erros.
Reconhece que não há mais como repará-los.
Ela sabe que só pode é fazer o bem daqui pra frente.
Ela não terá todos que ela quer consigo.
Sabe que será difícil.
Não sabe quando a dor passará.
Nem sequer sabe se passará.
Parece que nunca mais será feliz...
E ela reflete ainda mais...
Será que um dia ela foi realmente feliz?
Ela pode parecer, mas quem sabe,
Sabe bem, o quanto ela mascara.
Todos os anos de teatro na infância servem agora.
Ela precisa se encontrar.
Ela precisa sair, correr sem rumo.
Ela precisa fugir, fugir de si.
Mas já está perdida.
Fugida.
Sumida.
Ela precisa se encontrar.
Ela está confusa.
Ela precisa de alguém consigo também.
Ela precisa construir a vida.
Ela está confusa.

(maio de 2013)

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