quinta-feira, 16 de abril de 2015

Um sexta no Black Bird.




Quebrei um copo no Black
O Bruno estava junto.
Ele viu a mesa se movimentar sozinha quando fui apoiar o copo.
A primeira vez é inesquecível.
Nunca tinha quebrado um tal de copo.
E entre tragadas leves de um bom Malboro filtro,
A fumaça dançava na imensidão daquela noite.
Olhei para o copo,
Tão ele,
Na dele,
No chão.
Percebi que aquele era o amor.
O meu amor.
Agora, feito dezenas de milhares de cacos,
Impossível colar...
Percebi que pessoas poderiam pisar ali,
Se cortarem.
Se ferirem.
O amor fere.
Corta.
Deixa cicatrizes.
Porque escolhestes assim?
Plantar uma semente,
E assim, tão simplesmente,
Não regá-la?
Deixou que esta flor murchasse.
E os dias que eram sempre primavera,
Se findam num outono frio,
Deste triste abril.

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