Novas espinhas.
Novas dobras na barriga.
Novos sorrisos.
Sorrisos falsos.
Sorrisos forçados.
Novas pessoas.
Pessoas boas, que não merecemos.
Pessoas ruins, que colherão tudo que plantaram.
Novas camadas de cutículas sobre as unhas que já não são feitas há meses.
Novos cabelos vão tomando conta do couro cabeludo, deixando para traz o amarelo de um loiro que já esteve bonito.
Novas ideias, em não fazer nada.
Ontem iniciei a fazer nada, e ainda não findei.
Não sei, parece que me joguei no tempo.
De cabeça.
Tanto faz e tanto fez o que já foi, foi, já não importa.
Me joguei no tempo, e ele anda fazendo coisas incríveis.
Já não me conheço.
Olho no espelho e penso "Quem é você?"
Com esse olhos vermelhos, inchados de choro.
Com esse apartamento às traças.
Com cigarros e embalagens de chocolate à todo canto.
Latas de cerveja sob livros que não foram lidos.
Me joguei no tempo.
Quando deito na cama, não penso em mais nada.
Não quero levantar.
Não faço mais nada com vontade.
Me joguei no tempo,
O tempo faz coisas incríveis.
Incríveis, desagradáveis.
Decepcionantes.
Como eu.
Como amiga.
Como filha.
Como ser.
Como sou.
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