Os dias vão passando.
Cada dia uma conquista.
Cada dia, um dia a menos de vida.
Lembre-se, coisas materiais de nada valem.
O que valem mesmo são os sentimentos.
Já houve uma época em que eu sonhava em me casar, ficar por aqui mesmo, nesta cidade, que cresce mais rápido que aquelas “graminhas” no pasto, e viver a vida por aqui. Advogar no escritório onde já trabalho há tempos, constituir então depois de uns dois anos uma família, ter minha casa, minha horta com minhas verduras e tudo o mais.
Este tempo passou.
Hoje percebo que as famílias se desfazem rápido;
Que os maridos traem suas esposas;
Que os filhos só sofrerão, pois geralmente mães que sofrem, fazem os filhos sofrerem, então no meu caso não seria diferente... Seria apenas a continuação da história.
Percebo que esta cidade cresce sim, mas não encontro nada que caiba no meu sonho por aqui;
Percebo que o prazer que tenho pelo meu estudo e profissão já não é o mesmo de antes e já não é suficiente para continuar, mas pela pressão que suporto, estou aí, empurrando tudo com a barriga, pra ver se finda logo.
Percebi que toda a mágoa que tenho na minha vida está se tornando em ódio.
Tudo muda, pois os tempos passam, mais rápido que a brisa ao bater em nossos cabelos.
Os tempos passam, as vontades mudam... Já dizia Camões.
Hoje, procuro viver isso: o Hoje.
Já não me importo com as circunstâncias que minha vida leva.
Aliás, não ando nem me importando comigo, com o meu ser, espírito...
Tanto faz.
Já procurei felicidade onde só encontrava naquele momento.
Meu porto seguro, aquelas frações de segundos de felicidade que os entorpecentes me proporcionavam, ah como era bom. Mas depois, acabava, e minha mágoa voltava mais forte ainda.
Aquilo só preenchia meu vazio naquele momento, e depois percebia que só cavava mais o buraco aqui do meu peito.
Queria mesmo era acabar comigo.
Me destruir.
Já que não era forte o suficiente para o suicídio, resolvi me matar aos poucos.
Acabar com meu organismo.
Esfolar minha alma.
Me machucar.
Larguei mão do meu ser já há algum tempo.
Sem redes sociais.
Sem nenhuma comunicação com a "família".
Família? Ah sim, aquelas pessoas com quem eu dividia o mesmo teto.
Posso afirmar que utilizo estes meus textos mesmo como um desabafo.
Eu queria muito fugir daqui, desta cidade, deste país...
Pra bem longe onde ninguém pudesse me encontrar.
Aliás, de que adianta? Quem me procuraria? Só o setor de cobranças do banco.
Os tempos passam, e vemos quem são nossas amizades, e em casos mais concretos, percebemos que estamos sozinhos.
No meu caso, sozinha.
Os "amigos" do "e aí blza?" estão jogados aí, não tão às traças como eu, mas, enfim.
Sabe, cheguei a uma conclusão:
Tudo que fiz até hoje nesses quase 21 anos de vida, foram em função daquela que me pariu.
Entrar na faculdade de direito, me envolver com a música, escrever...
Pra ver se algum dia de alguma maneira ela sentiria orgulho de mim, da pessoa que eu sou...
Mas, como já esperado, nada. Nada de nada.
Ser rejeitada toda minha vida não foi fácil.
Como explicar essa dor que eu sinto? Como curar? Não existe, e já estou ciente.
Eu tenho que aprender a conviver com esta mágoa.
Esta mágoa que aos poucos se torna ódio, rancor.
Desgosto.
Mas, ao mesmo tempo eu ainda queria sabe, dar um último passo, mesmo sabendo que todas as minhas tentativas de receber amor materno foram falhas.
Mas como cobrar algo de alguém, que não teve.
Cobrar amor de mãe, sendo que minha mãe nunca recebeu!
Não há o que fazer.
É mais um caso perdido nesse mundão.
Eu perdida.
Eu me perdi.
Lavei as mãos.
Perdão, mas já não me importo com minha vida.
Temos que viver o hoje, e o passado esquecer. ♫
Sei que cometi erros, muitos.
Entrar no erro é bem fácil... Agora, pra sair dele....
Uns se afundam mais.
Outros, tentam sair dele.
Eu desisti.
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